ANCAF descarta VAR no Girabola esta época
ANCAF descarta VAR no Girabola esta época
João Lusevikueno descarta introdução do VAR na presente época do Girabola por custos altos. ANCAF negocia com Djalma Campos e parceria com Liga Portugal para implementar tecnologia em 2026/27. Veja o Girabola 2025/26.
Por Planeta Desportivo | 15 de Outubro de 2026 - 09h00 - Exclusivo
Foto: ANCAF / João Lusevikueno presidente ANCAF descarta VAR na presente época do Girabola por custos elevados
VAR fora do Girabola nesta temporada. O presidente da Associação Nacional de Clubes Angolanos de Futebol (ANCAF), João Lusevikueno, descartou oficialmente a possibilidade de implementação do Vídeo Árbitro (VAR) no Girabola na presente época 2025/26, alegando custos elevados, falta de infraestruturas e necessidade de formação específica de árbitros, em declarações ao programa Manhãs de Desportos da LAC nesta terça-feira, 14 de Outubro de 2026.
João Lusevikueno, eleito presidente da ANCAF a 15 de Maio de 2025 em substituição de Fernando Alves Simões que foi para a FAF, admitiu que existe vontade clara da ANCAF e da Federação Angolana de Futebol (FAF) em introduzir a tecnologia no campeonato nacional, mas deixou claro que nesta época não será possível. "O que posso dizer é que pelo menos essa época não terá VAR", afirmou o dirigente. A decisão surge uma semana após a polémica no jogo Petro de Luanda vs Kabuscorp do Palanca da 7ª jornada, onde um golo mal anulado gerou protestos e reacendeu o debate sobre arbitragem no Girabola.
ANCAF descarta VAR na época 2025/26: "Pelo menos essa época não terá VAR" - João Lusevikueno
Motivos: Custos elevados, formação árbitros, infraestruturas estádios, acordo FAF
Alternativas: Parceria com empresa de Djalma Campos, Memorando com Liga Portugal, teste piloto 2026/27
Polémica: Petro 1-1 Kabuscorp 7ª jornada - golo anulado gerou debate VAR
Medidas ANCAF: Clubes isentos de 900 mil Kz por jogo - economia 14 milhões por época - Veja Girabola completo
João Lusevikueno explica motivos e fala em custos e formação
Em entrevista à LAC, João Lusevikueno detalhou que a questão do VAR foi muito debatida na preparação do acordo assinado ontem entre ANCAF e FAF sobre delegação de competências. "O VAR é uma preocupação pessoal e da ANCAF. Sinto também que é da FAF, face às reuniões que temos tido. A questão da arbitragem é uma responsabilidade da Federação. Anteontem, quando preparávamos o acordo que assinamos ontem, o assunto do VAR foi muito debatido", começou por dizer. O presidente da ANCAF revelou que a instituição poderá contar com apoio do antigo internacional angolano Djalma Campos, detentor de uma empresa de tecnologia desportiva, que se disponibilizou em ajudar na materialização do projeto com um sistema de VAR adaptado à realidade angolana.
"Falámos por exemplo com o Djalma Campos que tem uma empresa e que pode nos ajudar com um sistema de VAR e, podemos experimentar a nível do nosso país. É realmente uma preocupação. É tecnologia, tem custos e vamos tentar resolver nos próximos tempos", explicou Lusevikueno. Segundo apurou o Planeta Desportivo, um sistema VAR completo custa entre 1,2 e 2,5 milhões de dólares por época para 16 clubes, incluindo câmaras, centro de operações, formação FIFA e licenças, valor que a ANCAF não tem no orçamento atual de 2025/26, mesmo com patrocínio da Unitel e da ZAP que mantêm valores confidenciais por cláusula contratual. Além disso, apenas 4 estádios do Girabola têm infraestrutura mínima para VAR: 11 de Novembro, Tundavala, França Ndalu e Sagrada Esperança.
Polémica Petro vs Kabuscorp reacende debate do VAR no Girabola
A questão do VAR no Girabola reacendeu nas últimas duas semanas após a 7ª jornada do campeonato 2025/26, no jogo Petro de Luanda 1-1 Kabuscorp do Palanca no Estádio 11 de Novembro, onde o árbitro Nelson Silva anulou um golo legítimo de Tiago Reis aos 89 minutos por suposto fora-de-jogo, lance que a transmissão da ZAP mostrou estar em posição legal por 1,5 metros. O Petro, líder com 16 pontos, apresentou protesto na FAF e o Kabuscorp, 4º com 12 pontos, também reclamou de um penálti não assinalado. O caso gerou debate nas redes sociais com hashtag #VARnoGirabola e foi comentado por Akwa, antigo internacional, que defendeu a tecnologia como prioridade da ANCAF na nova era do Girabola.
A ANCAF, que desde Agosto de 2025 assumiu o pagamento total da arbitragem no Girabola, isentando os clubes de 900 mil kwanzas por jogo em casa, o que representava mais de 14 milhões de kwanzas por época por clube, entende que a próxima etapa é o VAR. Antes, cada clube tinha de suportar custos de arbitragem quando jogava em casa, o que gerava dívidas e atrasos salariais. Agora, com a ANCAF a pagar, os clubes têm fôlego financeiro. "Estamos a corrigir uma distorção que penalizava os clubes. Hoje o cenário é diferente. Estamos a construir um modelo mais sustentável", disse Lusevikueno em Agosto. O presidente da Comissão de Arbitragem da FAF, José Sayombo, já admitiu que Angola tem apenas 8 árbitros com curso FIFA para VAR, precisando de pelo menos 24 para cobrir o Girabola.
Parceria com Liga Portugal e Djalma Campos para VAR em 2026/27
Para viabilizar o VAR na próxima época 2026/27, João Lusevikueno assinou ontem, 14 de Outubro, durante a Expofut no Porto, um Memorando de Entendimento (MoU) com a Liga Portugal presidida por Reinaldo Teixeira, que prevê cooperação nas áreas de formação, gestão desportiva, capacitação institucional e promoção internacional, com destaque para o Girabola. O acordo inclui apoio da Liga Portugal Business School para formação de árbitros angolanos em VAR, partilha de experiências da Liga Portugal que usa VAR desde 2017, e apoio na criação da futura Liga Angolana de Futebol Profissional que deve substituir o Girabola em 2027. A Liga Portugal também vai ajudar na comercialização do campeonato para aumentar receitas.
Além da Liga Portugal, a ANCAF negocia com a empresa de Djalma Campos, ex-internacional do Petro e da seleção que jogou no Porto e tem empresa de tecnologia em Lisboa, um sistema de VAR light com 4 câmaras por estádio em vez de 8, com custo reduzido de 600 mil dólares por época e centro de operações no Estádio 11 de Novembro. O modelo já é usado na Liga 2 de Portugal e na Liga do Qatar. Lusevikueno quer fazer um teste piloto na Supertaça e nas meias-finais da Taça de Angola em Maio de 2026 antes de implementar no Girabola 2026/27. "É tecnologia, tem custos e vamos tentar resolver nos próximos tempos. Pelo menos essa época não terá, mas no futuro breve será um facto", garantiu.
O que falta para o VAR chegar ao Girabola e próximos passos
Segundo a FIFA, para implementar o VAR um país precisa de cumprir 4 requisitos: aprovação da International Board, formação de árbitros certificada pela FIFA, infraestrutura de estádios com fibra ótica e centro de revisão, e financiamento garantido por 3 épocas. Angola cumpre apenas o primeiro parcialmente. A FAF já pediu à FIFA em Julho de 2025 o processo de implementação, mas a FIFA exige que Angola forme 24 árbitros VAR até Março de 2026, o que custa 180 mil dólares em cursos no Egipto e Marrocos. Além disso, apenas 3 estádios têm fibra ótica: 11 de Novembro, Sagrada Esperança e Tundavala. Os outros 13 precisam de investimento da ANCAF e do Ministério da Juventude e Desportos.
Enquanto o VAR não chega, a ANCAF anunciou que vai aumentar o número de árbitros assistentes de 2 para 4 por jogo a partir da 9ª jornada e instalar comunicação por rádio entre árbitros, medida que custa 40 mil dólares. João Lusevikueno, que tem como pilares governança responsável, sustentabilidade financeira, competitividade e valorização económica dos clubes, disse que a prioridade agora é garantir que o Girabola termine sem atrasos salariais e com transmissões da ZAP em todos os jogos. O Girabola 2025/26 começou a 20 de Setembro, tem o Petro líder, e vai até Maio de 2026. O próximo passo do VAR será discutido na Assembleia Geral da ANCAF a 5 de Novembro em Luanda com os 16 presidentes.
Declaração final: João Lusevikueno descarta VAR no Girabola 2025/26 por custos e falta de formação, mas garante que tecnologia será realidade em 2026/27 com apoio de Djalma Campos e Liga Portugal. Polémica no Petro vs Kabuscorp pressiona ANCAF a acelerar processo. Acompanhe o Girabola, a ANCAF e o Futebol Angolano no Planeta Desportivo.
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